olhava para o chão. para os pés. os sapatos. a sujeira no carpete. o chiclete arrastado e pisoteado e empoeirado, sem cor. a boa iluminação me refletindo no vidro e de repente quem sou eu? hen, quem sou eu?
eu incomodada e tanta coisa acomodada. pouco espaço, um montado em cima do outro como cães e cadelas. vários joelhos vestindo saias e barrigas gordas limitando cada mínimo espaço de mim.
que monótono. pelo menos estou com o rabo na cadeira e não em pé. é, mas não estou tão bem assim com o meu rabo onde vários outros rabos mal lavados já estiveram. estou pior do que em pé então. merda, vou levantar.
não, vou ficar. vai demorar pra chegar e qualquer segundo aqui seria uma volta completa no relógio do tédio. isso equivaleria a alguns dias no relógio da ânsia e um calendário inteiro no da minha vida.
"tunti tunti tunti tunti" mas que porra é essa meu deus do céu isso é torturante. vou olhar porque estou incomodada e quem sabe assim esse som some. tinha que ser um filho da puta, metido a estiloso. esses jovens do caralho me tiram do sério!
que joelho feio. caído, mole, gordo e branco. eca, se eu tivesse pinto ele encolhia.
o meu clitóris não consegue nem pensar recebendo uma informação dessas.
relembrando: anão dentro da calça.
é mesmo, porque esses gordos malditos ficam parecendo que tem um anão dentro da calça?
está chegando, deixa eu ver qual será a estratégia, a "missão impossível", "a luz no fim do túnel" pra eu conseguir atravessar cães e cadelas montados um em cima do outro sem me encostar nesse pau de sebo e muito menos nesses animais de estimação inconfundíveis e remelentos. hm, vou dando com a bolsa no estômago desses gordos, pisoteando os pés dos joelhos simpáticos e fitando olhos escrotos que notaram a minha sutil e sem graça presença. isso me incomoda, ai como incomoda.
ah! desgraça.
hm, deixei você no bolso obaminha assim posso te usar sem o estresse de te precisar e nao te encontrar.
como um gordo passa nessas catracas apertadas do caralho? mais que inferno essas porras de metrôs. nunca precisei passar cartão pra sair dessa geringonça do cacete.
ai quanto palavrão, ai que delícia.
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