quinta-feira, 15 de abril de 2010

os velhos novos de sempre

- comecei por começar, mas continuei por prazer

nós dois mais uma vez com nossos diálogos estranhos e impulsivos, embora inocentes. você me deu aquele beijo de costume, três mordidinhas leves nos meus dois lábios e três chacoalhadas com seus dentes mordiscando só as pontas dos meus beiços. aí você larga, bate o sono, faço cafuné nos seus vários fios compridos e escuros que no apagar da luz só vejo o formato do seu rosto branco e o resto é breu, debruçado no meu peito nós adormecemos. desejaria a nossa morte nestes momentos assim. estaríamos grudados como “irmãos de aquário” (como você diz) e simplesmente não acordaríamos amanhã. a preguiça dos outros e de tudo, enfrentando os cheiros, gostos, sons e texturas das próximas vinte e quatro horas nos dá mais ânsia de vômito e menos de viver. sei que você também falaria deste assunto com deleite, assim como eu, já que não passamos de crianças velhas em busca de sossego, embora tratadas como jovens adultos ou amadurecidos adolescentes.

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