abro a fedida geladeira e dou de cara com o leite. merda! tomaram o resto do outro e não abriram esse aqui ainda. vou fumar e esquecer dessa joça.
quer saber? já era.
tenho que sair logo, os coalas podem chegar e não to afim de papo. cadê o obaminha? como diria jone “é o fim da picada”. saco! quando nasci o doutor socou o bisturi no meu rabo e saiu rasgando tudo! não é possível que o cartão do metrô me deixou sem avisar. quase sem nenhum tostão como é que vou pra puta que pariu? com o rabo estourado, sem dinheiro e sem humor não sirvo nem pra meretriz ou palhaço oferecendo bala no semáforo de qualquer rua.
- oi
- e aí?
- nada. e aí?
- é
- han?
- oi?
- oi
- e aí?
- nada. e aí?
- é
- han?
- oi?
- oi
...
por horas os meus anos passaram assim. comparado a um diálogo fúnebre, cheio de vazio, redundante, passivo-ativo e banalizado por mim mesma. dando voltas e voltas e motivada por motivos que não fazem sentido pra mim. para os que esperam de mim, ah pra esses sim essas voltas e motivos tem qualquer significado. eu só espero que esperem menos, porque o talento nasceu enfiado no cu de outro e o meu é só o bisturi do doutor, entende?
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